COMOÇÕES NA EDUCAÇÃO

NOTAS NEUROCIENTÍFICAS AO ENSINO DE FILOSOFIA

Palavras-chave: Ensino, Neurociência, Filosofia

Resumo

No presente artigo, apresentamos uma seleção de estudos em neurociência e em psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem que fornecem indicações a respeito da centralidade da dimensão socioemocional no ato de ensinar, aprender e, de modo geral, raciocinar. Para o ensino de Filosofia no Ensino Médio, no qual a relevância e o sentido dos conteúdos e discussões apresentados é recorrentemente colocado sob suspeita, tais apontamentos fornecem caminhos possíveis para que os/as discentes sejam efetivamente afetados/as. Dentre as práticas educativas que se adequam a esse modelo, destacamos o debate: segundo nosso argumento, esse recurso – sendo realizado não como meio de evadir o trabalho com textos filosóficos, seu arcabouço conceitual e o exercício da conceituação, mas como forma de concretizar tais anseios – tem o potencial de dar-lhes peso socioemocional. Com seu uso estratégico, uma educação comovente pode ter lugar em sala de aula. Para além, se ele aparece como ponte habitualmente utilizada no momento inicial de sensibilização dos/as discentes, sugerimos a adição de uma aplicação posterior. Por aí, o debate transfigura-se, articulando sentimentos inéditos surgidos nos momentos de sensibilização inicial às habilidades de conceituação recém-desenvolvidas. Assim, ele se torna ferramenta poderosa ao/à docente de Filosofia, mantendo uma relação estreita com a apreensão do conceito e da conceituação.

Biografia do Autor

Isabela Wender Lourenço Fernandes, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil

Graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), no curso de Ciências Sociais, no grau de Licenciatura. Mestranda em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), no curso de Sociologia. Especializanda pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no curso de Ensino de Filosofia.

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Publicado
2025-07-30